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Sobre a tal da positividade tóxica...

Atualizado: 12 de jun. de 2025


Vem cá, deixa eu te falar uma coisa...


Antes de mergulhar no assunto sobre positividade tóxica, quero compartilhar uma experiência minha contigo. Talvez faça sentido aí também (ou talvez não — e tá tudo bem).


Na minha caminhada espiritual, vivi muitas fases. E uma delas, logo no comecinho do meu despertar, depois de passar por alguns processos de cura, me levou a um lugar muito especial. Eu me sentia leve, em paz, como se tudo estivesse perfeitamente alinhado. Era como se eu estivesse mergulhada num bálsamo de luz. Tudo era florido. Eu sentia o perfume das rosas no ar, ouvia com clareza o canto dos passarinhos... Um verdadeiro sonho.


E eu queria muito compartilhar isso com as pessoas ao meu redor. Queria que elas também soubessem que era possível viver com mais leveza, com mais paz. Mas parecia que eu falava outra língua. Sabe aquela sensação de estar falando com o coração e, ainda assim, não ser compreendida? Algumas pessoas até me olhavam com aquele olhar de “ixi, enlouqueceu de vez”. E uma parte de mim se frustrava: “Como assim eles não enxergam? Tá tão claro!”


Hoje vejo que essa fase foi extremamente importante. Foi quando percebi que existe beleza em muitas coisas — e mais do que isso, que eu era capaz de me sentir bem. Algo que, sinceramente, nunca tinha experimentado tão profundamente, talvez por conta da minha história com a depressão e a ansiedade constantes. Mas isso é assunto pra outra conversa...


O que quero dizer é que sentir todo aquele amor, aquela paz que me preenchia, foi maravilhoso. Só que, com o tempo, fui entendendo que aquela vivência era minha. Não era pra ser imposta a ninguém. Eu não tinha visto e sentido tudo aquilo pra "salvar" o outro, mas sim pra encontrar a minha própria força. O meu amor. E aprendi que tudo tem o seu tempo. Respeitar as dores — tanto as minhas quanto as do outro — faz parte do processo humano.


Essa fase “positiva” me ensinou, sobretudo, a confiar. E hoje, quando me deparo com sombras que ainda não acessei — e às vezes fico dias, semanas em um estado mais melancólico, introspectivo — eu me conecto com aquela força que descobri lá atrás. Mas sem jamais negar o que estou sentindo no presente. Eu choro, sinto raiva, grito se for preciso. Desabafo, desabo... Sabendo que isso também faz parte de algo maior que eu. Eu não tento controlar. Eu olho. Encaro. Acolho. E digo: “Ok. Bora lá.”


Porque a vida é isso, sabe? Terapia não é pra você se livrar das suas questões. É pra aprender a lidar com elas. Assumir a responsabilidade pelo que se sente é um sinal de maturidade emocional. E hey, tá tudo bem não estar bem o tempo todo.

A gente vive tanta coisa em um único dia… São picos de emoções, sentimentos novos, memórias antigas que voltam. Mas a forma como lidamos com tudo isso é o que determina nossa saúde mental, emocional e espiritual.


E é aí que entra essa tal de positividade tóxica.


Tem dias em que a gente só quer ser ouvida, sabe? Sem precisar ouvir um “ah, mas pensa pelo lado bom” ou um “isso também vai passar”. Porque sim, pode até passar… mas, às vezes, antes de passar, dói. E dói fundo.


Não sei você, mas eu já me peguei sorrindo por fora quando, por dentro, tudo estava em ruínas. Fingir que estava tudo bem parecia mais fácil do que tentar explicar o caos. Porque tem gente que simplesmente não sabe estar com a nossa dor sem tentar consertá-la. E aí vem aquela avalanche de frases prontas: “foca no positivo”, “tudo acontece por um motivo”, “você atrai o que vibra”... e, de repente, além da dor, vem a culpa. Como se sentir dor fosse sinônimo de fracasso espiritual.


E olha, eu entendo que essas frases têm seu fundo de verdade — têm mesmo. Mas até que ponto isso não vira um pano por cima de algo que só quer ser sentido? Até que ponto isso não mascara uma ferida que precisa ser olhada com carinho, e não silenciada com mantras?

Tem dor que não se dissolve no "pensa positivo". Tem ferida que precisa do silêncio e da presença, não de correção. Às vezes, a cura está em parar de tentar curar e simplesmente permitir que a dor exista um pouco. Sem pressa. Sem pressão. Sem precisar fazer sentido. Só sentir. Só acolher.


Não é sobre negar a luz. Mas também não é sobre usar a luz como holofote pra esconder o que ainda grita no escuro. Fingir força o tempo todo cansa. E, no fundo, a gente não precisa de frases feitas. A gente precisa de verdade. De presença real.


Não se trata de virar vítima, nem de se afogar no sofrimento. Mas... e se a gente pudesse só sentir o que tá sentindo, sem ter que justificar? Sem ter que se ajustar?


Existe um espaço entre o drama e o otimismo forçado. Um lugar onde mora a honestidade emocional. Onde a gente pode simplesmente dizer “hoje tá difícil” e ouvir de volta “eu te entendo”. Sem julgamento. Sem solução. Sem receita.


A cada dia tenho aprendido que positividade de verdade é aquela que acolhe. Que caminha junto, mesmo quando a luz parece fraca. Que diz: “vamos juntas”, mesmo na escuridão.

A dor faz parte. A dúvida, a raiva, o cansaço... tudo isso é vida pulsando. A gente não precisa se anestesiar com palavras bonitas. A gente precisa de verdade. De permissão pra ser inteira, humana, imperfeita.


Então, se hoje você não tiver energia pra sorrir, tá tudo bem. Se quiser chorar no banho, bater um papo com o travesseiro ou escrever páginas e páginas de desabafo... tudo bem também.

A luz não vai embora só porque a gente não a sente. Às vezes, só o fato de você se permitir ser honesta com o que está vivo dentro de você… já é cura.


No fim das contas, ser humana é isso: sentir. Errar. Recomeçar. Amar e se perder. A vida não é uma linha reta — é um turbilhão de emoções, curvas inesperadas, pausas necessárias e recomeços silenciosos. E, às vezes, é no caos que a gente se encontra. É na imperfeição que a gente começa, enfim, a viver de verdade.


E assumir isso… é o que pode realmente te elevar.


A vida é uma loucura mesmo... e esta tudo bem.



Com amor,

Cheila




 
 
 

1 comentário


Flavio
13 de set. de 2025

Gratidão e celebração!

O deixar ir, deixar fluir, o emocional, o espiritual vem sendo aflorado na humanidade. Para alguns mais cedo, para outros um pouco mais de tempo.

Histórias curativas, vivências, experiências, que trazem reflexões, como dito, acolhimento e crescimento, até nossa alma.

Ahhh, o ponto magnífico da jornada.


Acolho, recebo e agradeço!

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